O que é a oncologia clínica?
Uma pergunta que ouço bastante no consultório, e que vale a pena esclarecer com calma.
Quando alguém recebe um diagnóstico de câncer, é comum surgir uma confusão logo no começo: afinal, quem cuida da doença? O cirurgião? O radioterapeuta? O oncologista? A resposta é que, na maioria das vezes, são vários médicos ao mesmo tempo, cada um com um papel. Este texto é para explicar, sem pressa, onde entra a oncologia clínica nessa história.
O que faz o oncologista clínico
O oncologista clínico é o médico que trata o câncer com medicamentos (ou seja, remédios que agem sobre a doença, e não com bisturi ou com radiação). É ele quem indica, prescreve e acompanha tratamentos como a quimioterapia, as terapias alvo (drogas dirigidas a uma característica específica do tumor) e a imunoterapia (tratamentos que estimulam o próprio sistema de defesa do corpo a combater o câncer).
Além de prescrever, esse profissional costuma ser uma espécie de médico de referência ao longo da jornada: acompanha a resposta ao tratamento, controla efeitos colaterais, pede e interpreta exames e conversa com as outras especialidades envolvidas. Boa parte do trabalho é justamente essa: coordenar o cuidado e traduzir, para o paciente e a família, o que está acontecendo.
Não confundir: são três especialidades diferentes
O câncer costuma ser tratado por uma equipe, e três especialidades médicas cuidam diretamente do tumor. Elas se completam, não competem:
- Oncologia clínica: trata com medicamentos (quimioterapia, terapia alvo, imunoterapia, hormonioterapia).
- Cirurgia oncológica: trata operando, quando faz sentido remover o tumor ou parte dele.
- Radioterapia: trata com radiação dirigida à região do tumor, para destruir ou controlar as células doentes.
Em muitos casos, essas três frentes se combinam (por exemplo, uma cirurgia seguida de quimioterapia, ou radioterapia junto com um medicamento). Quem organiza essa sequência é a equipe, discutindo cada caso. Vale lembrar que outras áreas também participam do cuidado, como a patologia (que analisa o tumor no microscópio) e a radiologia (que faz e interpreta os exames de imagem).
Quando procurar um oncologista clínico
Na prática, quase sempre o paciente chega ao oncologista clínico encaminhado por outro médico, depois de um exame que confirmou o diagnóstico (em geral, uma biópsia). Não é um profissional que se procura para rastrear ou prevenir o câncer em quem não tem sintomas: esse papel costuma ser do clínico geral, do ginecologista, do urologista e de outros, por meio dos exames de rotina.
Dito isso, se você recebeu um diagnóstico de câncer, ou está com um resultado de biópsia em mãos, faz sentido buscar a avaliação de um oncologista para entender as opções de tratamento. E, como em qualquer decisão importante de saúde, procurar uma segunda opinião é legítimo e bem-vindo.
Para informações confiáveis e em português sobre tipos de câncer, tratamentos e prevenção, uma boa fonte é o Instituto Nacional de Câncer (INCA): gov.br/inca.